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  Energias Alternativas na China

O que para nós em energia é alternativo, para os chineses é complementar. Ou seja, a energia renovável não deverá, por muito tempo, substituir a energia tradicional, mas sim complementá-la. Em 2007 o uso da energia na China cresceu 8.4%, comparados com a média mundial de 2.4%.

Na produção total de energia, destacam-se o carvão, com participação de 76% da produção total de energia; o petróleo com 13%; e as fontes renováveis, incluindo a hidroelétrica, com outros 8%. Mas as necessidades são tantas que, em 2020, a matriz energética chinesa certamente continuará a contar com o carvão e, cada vez mais, com o petróleo, entre seus insumos principais. E isso, apesar de a Renewable Energy Law de 2006 ter, ambiciosamente definido que, naquele ano, 15% de toda a energia consumida seja de fontes renováveis.

Mas vejamos a situação atual. As áreas preferenciais são a hidroelétrica, a solar e a eólica.
A capacidade chinesa de gerar energia hidroelétrica é gigantesca e o país já é o líder mundial, apesar de apenas aproveitar uma parcela do seu potencial.

Ocorre, porém, que para efeito de planejamento separam-se as pequenas hidroelétricas (capazes de gerar até 25MW por ano), e os projetos maiores das grandes represas, dos quais o Three Gorges Dam é o mais conhecido por ser o maior do mundo.

Existem na China mais de 43.000 pequenas usinas, principalmente porque o setor de distribuição é bem deficiente e as distâncias a cobrir são enormes. Os planos governamentais incluem investimentos privados, mas incentivados, na construção destas usinas. Estimam-se em US$38,8 bilhões os investimentos necessários para a construção e utilização desta geração distribuída.

Os projetos maiores são responsáveis por 67,5% da energia elétrica gerada na China e, já que são investimentos na geração tipicamente governamentais, prevê-se que 13 projetos devam estar concluídos até 2020, com investimentos de US$127,8 bilhões.
Embora a hidroeletricidade seja a líder em capacidade geradora, a energia solar fotovoltaica é a que mais cresce no setor das energias renováveis. A indústria solar deve crescer anualmente 40%, nos próximos quatro anos. Como se sabe, o watt fotovoltaico ainda é caro, mas os investidores continuam a acreditar nesse tipo de geração. Portanto, os fabricantes chineses têm se dado muito bem, inclusive com IPOs (lançamento de ações) bem sucedidos na bolsa de Nova York.

O governo planejava investir US$60 bilhões em 15 anos para o apoio ao desenvolvimento desta tecnologia. Recentemente, porém, já andou incentivando-a com US$1,5 bilhão. E, exemplo americano, está com idéia de injetar ainda mais recursos no setor.

Com custos comparáveis aos das fontes tradicionais de energia, o vento é encarado como a tecnologia limpa mais viável na China. A capacidade instalada chinesa é a segunda na Ásia e a quinta maior no mundo. O planejamento é para conseguir atingir a capacidade de 100GW em 2020.

Seus principais incentivadores são as 5 grandes estatais do setor. Os investimentos privados têm sido dirigidos para a fabricação de componentes, principalmente das turbinas, para a exportação e o consumo local. A indústria do setor está operando com capacidade total e não consegue atender à demanda existente. Com as escassas informações disponíveis, este parece ser um retrato da situação atual da China sobre as energias alternativas e do que pretende o governo chinês realizar dentro do contexto internacionalmente prometido, principalmente para a seríssima questão chinesa da poluição ambiental.


Extraído da coluna de Eloy Fernández y Fernández no site do Jornal O Globo.


Data: 14/5/2009
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